Fórum Mundial De Soberania Alimentar

adotada na cena internacional se for apoiada por todos os setores da população, não só aqueles que produzem sua alimentação". O Fórum pretende, ainda, fomentar espaços onde possam haver diálogos com os governos - principais agentes para a implementação de um modelo de soberania alimentar viável. Nesse caso, Malí, não foi escolhido à toa para o local do evento.   Recentemente o governo colocou a soberania alimentar como prioridade, com a Lei de Orientação Agrícola. Cada vez mais, os movimentos sociais que atuam nesta área têm colocado esta questão em contraponto aos modelos neoliberais levados adiante pela Organização Mundial de Comércio (OMC).

Com mais de 600 delegados representantes de camponeses, pescadores, ambientalistas, mulheres, indígenas e demais movimentos sociais, se inicia hoje na aldeia de Sélingué, em Mali, na África, o Fórum Mundial pela Soberania Alimentar 2007. A meta, que será levada à frente pelos 98 países presentes no

evento, é fazer com o que o direito dos povos àsoberania alimentar seja reconhecido e garantido pelos Estados. O evento segue até o dia 27 de fevereiro. Entre os muitos convidados presentes no evento, estarão o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, João Pedro Stédile (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem

Terra), José Bové (representante da Via Campesina), Dom

Tomás Balduíno (Comissão Pastoral da Terra), Jean Ziegler (ex-relator para o direito à alimentação da Onu), a ambientalista indiana Vandana Shiva, entre outros.

A idéia é que cada um dos movimentos possa dar sua contribuição para a elaboração de uma agenda de estratégias, que definirá atividadese ações de luta que serão desenvolvidas nos próximos quatro anos para a efetivação de políticas

 que sejam voltadas para a soberania alimentar e seu muitos afluentes como a economia e o comérciojusto e solidário. O documento de apresentação do Fórum defende que a soberania alimentar - assim como definido em seu conceito - precisa partir de uma proposta cidadã, que atenda às necessidades dos povos.

"Mas não se resume apenas a uma proposta de reforma setorial destinada a beneficiar unicamente aos produtos de alimentos, sejam eles camponeses ou pescadores. O modelo tem repercussões sobre o conjunto de outros setores da sociedade, na medida que garante preços justos. Trata-se de uma proposta cidadã global que só terá a oportunidade de êxito e de ser adotada

Em entrevista a Minga Informativa, José Bové, afirma que diante de toda esta conjuntura, a reforma agrária é, também, um ponto essencial. "Se queremos construir a soberania alimentar, se queremos que a agricultura permita aos camponeses viver de seu trabalho e aos consumidores ter acesso a produtos de qualidade, é preciso romper com a lógica de grande propriedade". Os principais obstáculos para se atingir esta meta, acrescenta, são os acordos da OMC.

 

Mais informações em:

http://movimientos.org/cloc/fmsa/

 

Fonte: Adital

Associação dos Colonos Ecologistas do Vale Mampituba