Pesticidas e Mal de Parkinson

Pessoas expostas a pesticidas têm probabilidade 70% maior de desenvolver o mal de Parkinson do que aquelas que não entram em contato com tais substâncias químicas, segundo um novo estudo. Os resultados sugerem que qualquer exposição a pesticidas, seja por atividade profissional ou não, aumenta o risco de uma pessoa desenvolver a doença. Isso significa que usar pesticidas em casa ou num jardim pode produzir efeitos tão nocivos quanto trabalhar com as substâncias químicas numa fazenda ou como controlador de pragas.

A pesquisa, publicada na edição de julho de Annals of Neurology, apresenta as mais fortes evidências, até hoje, do vínculo entre exposição a pesticidas e o mal de Parkinson. O estudo envolveu mais de 143.000 homens e mulheres que responderam minuciosos questionários sobre seus estilos de vida a partir de 1982, e pesquisas de acompanhamento durante o ano de 2001. Todos os pesquisados não exibiam quaisquer sintomas no início do projeto, quando foram indagados sobre sua profissão e exposição a materiais possivelmente nocivos. Ao longo dos anos, 413 dessas pessoas desenvolveram casos confirmados do mal de Parkinson, com maior incidência da enfermidade nas pessoas que conviveram com pesticidas.

"Mesmo baixas doses de exposição a pesticidas foram associadas a substancial aumento no risco de manifestação do mal de Parkinson", diz Alberto Ascherio, da Faculdade de Saúde Pública de Harvard e autor principal do estudo. "Creio que essa é uma razão para sermos cuidadosos em relação ao uso de pesticidas em geral".

Embora as causas do mal de Parkinson não sejam bem compreendidas, há muito tempo suspeitava-se que fatores ambientais desempenham um grande papel. Estudos com animais têm mostrado que compostos químicos usados em pesticidas podem causar uma degeneração dos neurônios produtores de dopamina. No mal de Parkinson, uma carência deste neurotransmissor provoca as anormalidades motoras características da doença, como tremores e rigidez muscular.

Estudos anteriores em pequena escala com humanos haviam sugerido um nexo entre pesticidas e o mal de Parkinson, mas esse novo estudo é o primeiro a estabelecer uma clara correlação numa grande população de pacientes.

Os pesquisadores também buscaram vínculos entre o mal de Parkinson e outros contaminantes ambientais, entre eles amianto, poeira de carvão, emissões de motores a combustão, formaldeído e material radioativo. Entretanto, eles não encontraram correlações entre a doença e quaisquer materiais além de pesticidas.

Devido à formatação dos questionários, o estudo não foi capaz de precisar em que medida a freqüência, duração ou intensidade da exposição a pesticidas afetaram a incidência do mal de Parkinson. O próximo passo, segundo Ascherio, é identificar que classe de substâncias químicas está efetivamente causando a doença, para que as pessoas possam reduzir sua exposição a elas.

 

 

Matéria retirada da revista Scientific American Brasil, Julho/2006

Associação dos Colonos Ecologistas do Vale Mampituba